Dr. Freud me disse que eu tenho complexo de inferioridade,
pois ando muito calado, não olho nos olhos de outrem, tal e coisa e coisa e tal...
Propôs então que eu tentasse ser mais comunicativo, desse bom dia, dissesse coisas do tipo:
"Nossa! como você está bonito(a) hoje."
Assenti e fui pro velho mundo tentar ser uma pessoa nova.
Dias depois, em outra sessão, Dr. Freud me disse que eu não podia mascarar
o insolúvel "EU", sendo quem não sou.
Diagnosticou então como "crise de identidade" e disse que é imprudente
e hipócrita falar algo quando não se quer dizer nada. Consenti e voltei em preto e branco
para o mundo que, sem querer, colori com uma tinta barata.
Dr. freud me disse que tenho complexo de inferioridade,
pois ando muito calado, não olho nos olhos de outrem, tal e coisa e coisa e tal...
Levantei-me do divã e vociferei:
" Dr. Freud, você não explicou nada, ao contrário, eu simplesmente andei em cículos
nas últimas semanas!"
Pus o dinheiro sobre a mesa de mogno na extremidade superior
da sala sob o olhar gélido enterrado atrás dos óculos pré-históricos e me dirigi à porta,
segurei a maçaneta, respirei fundo, encerrei o cerramento e emergi daquele antro
como o bom e velho "EU", porém com uma certa experiência à mais.
FEVEREIRO DE 2011
(Charles Brow)


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