Menina

/ quinta-feira, 29 de janeiro de 2015 /
Ela só queria uma chance,
um sorriso que justificasse seus esforços e a direção de seus passos.
Ela já estava cansada de procurar debalde um pai e uma mãe
entre os tantos rostos apáticos da multidão...
 E Por muitas vezes ela apenas desejou se tornar invisível para
derramar sobre o mundo um diluvio de lágrimas, 
mas só até afogar a indiferença e a falta
de empatia dos que estavam ao seu redor.
Nunca havia compreendido porquê as palavras que ouvia constantemente
eram sempre de desmotivação e jamais de encorajamento,
não raro sentia-se como que uma carta extraviada numa terra de iletrados,
uma lanterna acesa em pleno sol... 
Porém eu e Deus sabíamos que, na verdade, ela era um belo diamante
numa terra de cegos errantes que estava em período de lapidação.

Certa vez,, enquanto olhava a chuva da janela da sala, numa noite de insônia,
cogitou entre lágrimas a obscura hipótese de desistir de vez dos seus sonhos,
mas logo concluiu que estes eram os únicos responsáveis por manter o seu
 coração juvenil a pulsar.
E quando o sol entrou na casa pela janela ainda aberta, ela já havia decidido a não mais fugir,
nem depender mais dos incentivos daquelas pessoas de alma pequena
que, por estarem mortos em vida há muito tempo, não conseguiam mais
nem incentivar a si mesmos.
E esse foi o desabrochar de uma alma cuja circunstâncias jamais a domariam.

( Charles Brow, o Garimpeiro das circunstâncias)
                             29/01/15

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