Ladrão de mim

/ segunda-feira, 14 de maio de 2012 /
Todos os dias ao acordar me percebo mais pobre.
Me sinto roubado por mim mesmo, Eu ladrão de mim
tentando me justificar no peso das circunstâncias
como uma eterna criança a fugir das responsabilidades.

Todas as noites é difícil adormecer,
pois há um peso em minha consciência que não posso explicar,
é como se me faltasse o imprescindível, sinto-me inteiro pela metade,
há uma saudade de não sei quem que não passa, que não dorme.

Minha alma grita dizendo que não há mais tempo a perder,
no entanto, também, que ainda é tempo de virar a página e dar um outro rumo
a História mesmo a essa altura do campeonato.

Não sei se você ainda lembra, mas houve um tempo em nossa tenra infância
em que não tinhamos tempo a perder e os nossos braços infântes eram fortes
o bastante para nadar contra a corrente em busca de águas mais tranquilas.
Pequenas águias a buscar o sol acima do breu "intransponível" da tormenta.

Eramos corseis indomáveis no alto das montanhas,
viviamos soltos na natureza selvagem contemplado o infinito e recebendo
ósculos chamejantes do vento ao meio-dia.

Hoje o que existe é uma imensa lacuna no lugar daquela coragem épica e
uma solidão que me soca sem pudor o estômago mesmo em meio a multidão
que enfeita a madrugado no final de semana.

Minha alma grita dizendo que não há mais tempo a perder,
no entanto, também, que ainda é tempo de aceitar o papel em branco e a caneta cheia
que alguém que me conhece muito sempre quis depositar em minhas mãos nas
não poucas manhãs de ressaca.

"Minha alma está inquieta, enquanto não repousar em vós"(Santo Agostinho)


A todos os que me acompanham no blog, muito obrigados meus amigos pelo respeito e a paciência.
15/05/2012
( Charles Brow, o garimpeiro das circunstâncias)

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