Hoje a tarde eu a vi de perto,tinha no rosto o suor dos humildes
e a palidez da primeira experiência.
Hoje a tarde eu a vi de perto, porém
eu estava longe, sempre estive.
Aquém e além.
Enquanto o sol a ninguém queria ver
e as nuvens negras varriam do céu o azul,
eu a vi de perto,
mas estava longe outra vez.
Triste é a sina do poeta das vãs filosofias que em mim reside.
Eu a vi hoje a tarde,
no entanto, quando me pus a caminhar em sua direção,
involuntariamente abri os olhos pela primeira vez
nas mais recentes semanas e vi o abismo que sempre existirá entre nós.
Eu me demito do seu mundo de fantasias ingênuas
antes mesmo de ganhar o meu primeiro salário,
me demito das ligações fora de hora,
da paciência de te ouvir dizer trivialidades,
dos acasos transformados em destino.
Eu me demito do "Eu" adolescente frustrado
que insiste em tentar fugir da cova que por tantas vezes
lajeei.
(Memórias de um amor platônico, 11/12/2010)
Charles Brow o Garimpeiro das Circunstâncias

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