Tentei escrever um soneto sobre a última manhã,
mas, à medida que fui escrevendo,
fui também me convencendo de que sua dimensão
não caberia em quatorze versos,
pois ela simplesmente encerrava um círculo vicioso,
porém redentor em minha vida de pássaro novo.
Senti saudades das vozes estridentes, da adolescência
veloz/voraz assassinada pelo tempo, carrasco e amigo meu.
Senti saudades do pequeno amor que foi sendo alimentado
pelas grandes barreiras impostas e chorei por dentro motivado
pela certeza de que apalpei sem temor/pudor cada momento.
a última manhã veio para confirmar que, apesar daquela estranha sensação de
que me faltava o chão para os pés, o fim é tão importante quanto
o início, só depende de como eu o vejo.
DEZEMBRO DE 2010
(Charles Brow)


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