Bibliotecária

/ sábado, 20 de agosto de 2011 /
Rodo a maçaneta e encerro por um instante o cerramento constante daquela porta fria.
Adentro com uma rosa em minha mão esquerda, uma rosa quase murcha e um tanto quanto desbotada,
porém, a mais bela ao meu alcance.

Quando a porta volta a estar como estava antes,
involuntariamente, meus olhos de aprendiz de coruja a procuram sem pudor.
Como são belos os seus lábios delgados!
Como é engraçado e ao mesmo tempo apaixonante o seu nariz discretamente arrebitado!


Quando por fim seus olhos fitam os meus, ela esboça um sorriso indecifravel,
que revela o meu passado e abre pra mim as portas do futuro.
Meus sentidos entram em desatino total, mas isso não me fere, pelo contrário,
me redime. Como se aquele instante não pertencesse a esse mundo imundo.


Saio de órbita e me lembro que a intenção inicial era entregar-lhe a rosa,
Procedo conforme a intenção inicial e vejo maravilhado aquela rosa quase murcha e um tanto quanto desbotada
me proporcionar um sorriso muito mais belo e caprichado.


Junho de 2009
( Charles Brow)

0 comentários:

Postar um comentário

Marcadores

 
Copyright © 2010 Garimpeiro das Circunstâncias, All rights reserved
Design by DZignine. Powered by Blogger