Adentro com uma rosa em minha mão esquerda, uma rosa quase murcha e um tanto quanto desbotada,
porém, a mais bela ao meu alcance.

Quando a porta volta a estar como estava antes,
involuntariamente, meus olhos de aprendiz de coruja a procuram sem pudor.
Como são belos os seus lábios delgados!
Como é engraçado e ao mesmo tempo apaixonante o seu nariz discretamente arrebitado!
Quando por fim seus olhos fitam os meus, ela esboça um sorriso indecifravel,
que revela o meu passado e abre pra mim as portas do futuro.
Meus sentidos entram em desatino total, mas isso não me fere, pelo contrário,
me redime. Como se aquele instante não pertencesse a esse mundo imundo.
Saio de órbita e me lembro que a intenção inicial era entregar-lhe a rosa,
Procedo conforme a intenção inicial e vejo maravilhado aquela rosa quase murcha e um tanto quanto desbotada
me proporcionar um sorriso muito mais belo e caprichado.
Junho de 2009
( Charles Brow)

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