/ sexta-feira, 27 de dezembro de 2019 /

SAUDADES


As vezes sinto saudades de casa...

... De antes dela desmoronar sobre nós
e restarem apenas lembranças entre os escombros...

Com um excruciante aperto no peito
sinto como um fardo
a falta   dos fins de tarde, do futebol, das amizades...

Sei que mesmo que eu desejasse profundamente
o tempo jamais seria como uma moda antiga
que desaparece e depois, sem mais nem menos,
retorna vestindo nostálgicos e saudosistas...

As vezes sinto falta de não depender de ninguém
e de não ter ninguém dependendo de mim, ou me esperando em algum cais ao final da guerra,
e peregrinar como um cavalo selvagem, indomável,
que sobe as serras e em meio as matas e cachoeiras
persegue ofegante o horizonte distante, porém mais
acessível do que se pode imaginar...

As vezes sinto saudades do lar
e o reconstruo no meu coração da forma mais perfeita
que eu posso o conceber, corrigindo máculas e desvios,
para levá-lo comigo aonde quer que eu vá,
não como um peso que me freia os  passos,
mas como um dínamo que converte e redireciona
minhas forças,
me proporcionando energia continua...


     (Garimpeiro das circunstâncias; 27/12/19)



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