JÁ PARA O PRÓXIMO EPISÓDIO!
Não trago comigo de muitos anos o hábito de me apegar a uma série televisiva cuja trama se desenvolva em episódios sequenciais, onde os capítulos se completem, formando assim uma teia homogênea de acontecimentos que juntos corroboram para um desfecho surpreendente, ou não.
Afinal, cresci nos anos 90 onde a maioria dos seriados televisivos mantinha um conceito que permitia que cada episódio possuísse introdução, desenvolvimento e conclusão, o que isso quer dizer? Simplesmente que um episódio não dependia de seu antecessor para fazer sentido.
Às vezes, raramente, uns desses seriados deixavam a conclusão da trama iniciada para o episódio posterior, no entanto, isso era mais difícil do que será para uma pessoa da minha geração se aposentar no Brasil do futuro.
Então, devido a ter em mim esse tipo de cultura, não me lembro de ter tido muita paciência para acompanhar alguns longos seriados onde o enredo funcionasse numa sucessão de acontecimentos que apontavam o rumo que a trama iria tomar.
Não sei dizer ao certo, nunca perguntei esse tipo de coisas para um analista (na verdade nem sei o que é um analista), mas acredito de longe que a minha impaciência e inconstância, dois arqui-inimigos meus que venho combatendo ao longo dos anos, devam ainda estar dormindo comigo porque não exercitei as virtudes da paciência e da constância assistindo séries com episódios interdependentes desde a mais tenra infância.
É claro que isso é uma suposição, não sou capaz de afirmar a veracidade dessa cogitação, nem pretendo reclamar para mim o posto de emissor de verdades absolutas.
Deixemos as suposições de lado e continuemos com a reflexão, apesar dessa minha falta de hábito para admirar e acompanhar as séries de episódios sequencialmente encadeados, combinei comigo mesmo de entrar numa fase onde eu me permitiria superar alguns dos meus preconceitos e provar o que no passado não havia me dado a oportunidade de experimentar, tudo isso com o intuito de ampliar meus canais de percepção da realidade e tentar ser um ser humano melhor, então iniciei maratonas de episódios de seriados modernos e outros um pouco antigos com a lógica sequencial que citei em linhas anteriores para ver o que ia dar.
A verdade precisa ser dita, me surpreendi com o enredo e com a empolgação que cada episódio sem desfecho me despertava e quando me vi estava viciado nessa parada, surfando até alta madrugada nas ondas dos enredos maravilhosos, quando terminavam os episódios das temporadas disponíveis eu corria para a internet pesquisar sobre os criadores e as referências para a criação, bem como sobre os atores, futuras temporadas e etc.
Virei fã de alguns desses seriados e aprendi muito sobre a vida com as vidas das personagens e seus dilemas existenciais, e acho que devo ter me tornado mais criativo também, pois, como dito antes, sou daqueles que pesquisam todos os ingredientes para saber o segredo do sabor e ao final dessa viagem estão sempre um tanto melhores que antes dessa epopeia cognitiva.
O que aprendi com tudo isso?
Simplesmente que eu preciso me dar mais chances para experimentar o que eu nunca experimentei, isso às vezes mata preconceitos e favorece as sinapses...
(Charles Brow; um dia desses)


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