Antropofagia

/ quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 /




  Antropofagia

Da boca do poço olhos insanos me alvejam
à queima roupa, um olhar antropofágico sob
a eternidade dessa noite quente.
Sinto os meus pelos involuntariamente dilatarem-se
como se fossem fugir do meu estático corpo inerte,
do fundo do meu cativeiro vejo as estrelas à cima dos
olhos faiscantes fecharem os olhos para minha triste realidade
de inércia involuntária,
e sinto a saliva ácida banhar queimando o meu rosto pálido e amarelo,
não consigo gritar para pedir socorro,
nem desmaiar para não sentir dor,
alguém diz sem emitir nenhum som que preciso sofrer,
para em fim perceber que a solução transita as minhas veias.

(Charles Brow)

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