Epílogo

/ sexta-feira, 5 de agosto de 2011 /
"Para tal devaneio me inspirei em uma cena de um filme cujo nome não sei, presenciei apenas a ultima cena numa noite quente de insônia em que eu zapiava os poucos canais que tenho acesso em minha casa".




A pequenos passos os meus pés ganham a areia em direção as ondas;
os meus olhos fitos estão na imensidão do nada (nada).
Dias mal vividos e noites mal dormidas permeiam o cerne da minha vida inútil e dependente
de um amor que por toda vida esperei debalde.


Com a barba crescida e o cabelo crespo busco o abraço que libertar-me-á,
mal inevitável e insondável; fim hereditário.


As ondas agora são mais contundentes e afiadas,
tal qual a navalha mais precisa do barbeiro mais fictício.
Contundentes e afiadas, porém, cegas se comparadas às lâminas da vida.


Vida, grato sou por acompanhar-me até então, não há nada mais que nos une além desses eternos minutos
transcendentes.
Morte, acolhe-me em teus braços gélidos, porém cálidos e suaves.


Em alguma madrugada de 2009
( Charles Brow)

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