DEITO E LOGO ADORMEÇO
Deito e logo adormeço
como infante em um berço,
ou tão qual um ébrio sem ramos, sem rumos,
sem apreço,
de alma embriagada,
jazido na calçada sob o luar...
Deito e logo me afogo em sonhos
que remetem a criança que fui um dia,
jogado a grama, sob o sol do meio dia...
Deito e logo me esqueço
da correria do dia a dia, do medo de errar,
das cobranças infinitas por lucro,
indiferença e vã estima...
Eu deito e tu deitas sobre o meu peito
sabendo que pela manhã posso já não ser o mesmo,
pois sonhos mudam desejos
como o tempo muda os timbres...
Deito e logo adormeço...
deito e logo...
deito e...
deito...
Zzz...
(Charles Brow, o Garimpeiro das Circunstâncias)
25/07/2019


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