/ quinta-feira, 25 de julho de 2019 /
DEITO E LOGO ADORMEÇO



Deito e logo adormeço
como infante em um berço,
ou tão qual um ébrio sem ramos, sem rumos,
sem apreço,
de alma embriagada,
jazido na calçada sob o luar...

Deito e logo me afogo em sonhos
que remetem a criança que fui um dia,
jogado a grama, sob o sol do meio dia...

Deito e logo me esqueço
da correria do dia a dia, do medo de errar,
das cobranças infinitas por lucro,
indiferença e vã estima...

Eu deito e tu deitas sobre o meu peito
sabendo que pela manhã posso já não ser o mesmo,
pois sonhos mudam desejos
como o tempo muda os timbres...

Deito e logo adormeço...
deito e logo...
deito e...
deito...
Zzz...

(Charles Brow, o Garimpeiro das Circunstâncias)

25/07/2019

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